Os conflitos familiares fazem parte da vida de praticamente qualquer família. Diferenças de opinião, problemas antigos, falta de diálogo e até assuntos que parecem pequenos podem se transformar em grandes discussões quando não são tratados da maneira certa.
O assunto foi discutido nesta quinta-feira (3) pelo terapeuta e pastor Denys, durante participação no programa Correio da Tarde, da afiliada da Record na Paraíba, no quadro Entre Nós, apresentado por Bruna Borges.
Durante a entrevista, o especialista falou sobre por que os desentendimentos acontecem, como evitar que uma conversa vire uma briga, os conflitos provocados por opiniões políticas e religiosas e também sobre a possibilidade de buscar ajuda por meio da terapia familiar.
Por que os desentendimentos acontecem?
Segundo Denys, muitos conflitos começam quando as pessoas deixam de conversar de fato e passam apenas a tentar defender o próprio ponto de vista.
Dentro de uma família, diferenças de personalidade, expectativas, criação e experiências de vida podem fazer com que duas pessoas enxerguem a mesma situação de maneiras completamente diferentes.
O problema, segundo o terapeuta, não está necessariamente em pensar diferente. O que costuma agravar a situação é a maneira como essas diferenças são colocadas dentro da relação.
Quando a discussão deixa de ser sobre uma situação e passa a ser um ataque pessoal, a tendência é que o conflito cresça.
Como evitar brigas e manter o diálogo?
Uma das orientações apresentadas por Denys é simples, mas nem sempre fácil de colocar em prática: ouvir antes de responder.
Isso significa tentar entender o que o outro está sentindo antes de preparar uma resposta ou contra-ataque. Interromper, ironizar ou julgar durante uma conversa pode transformar uma tentativa de entendimento em mais uma discussão.
Outra recomendação é conversar com respeito e sinceridade.
Gritos, acusações e palavras ditas no calor do momento podem permanecer na memória mesmo depois que a discussão termina. Por isso, o especialista defende que o foco deve estar no problema, e não em desqualificar a pessoa.
Religião e política também entram na lista
Outro ponto abordado no programa foi a influência da religião e da política nos conflitos familiares.
Em tempos de opiniões cada vez mais polarizadas, não é incomum que pessoas da mesma família tenham posições completamente diferentes sobre candidatos, partidos, governos ou até sobre questões religiosas.
A diferença de pensamento, por si só, não precisa representar uma ruptura.
O problema aparece quando a opinião passa a ser utilizada para definir quem está certo ou errado, transformando uma conversa em uma disputa. Dentro de uma família, preservar o vínculo pode ser mais importante do que vencer uma discussão.
Perdão pode ser o caminho para recomeçar
Para Denys, o perdão também ocupa um papel importante na reconstrução das relações familiares.
Isso não significa simplesmente ignorar o que aconteceu ou fingir que nada aconteceu. Envolve reconhecer erros, assumir responsabilidades e deixar de alimentar continuamente uma mágoa.
“Perdão ainda é a melhor solução”, resumiu o terapeuta ao tratar dos conflitos familiares.
A disposição para pedir perdão, reconhecer quando errou e permitir que o outro também possa recomeçar pode interromper ciclos de ressentimento que, muitas vezes, passam de uma discussão para outra durante anos.